História

Antecedentes Históricos
A Povoação do Bangwe

Durante os anos que antecederam a chegada dos europeus, a região do Bangwe, junto à foz do então rio Aruangwa — actual Pungwé — era habitado por populações nativas — os Vabangwe (ou bangwes) — comunidade essencialmente de pescadores.
A região estava sob domínio do reino de Sedanda, Vassalo do Império do Monomotapa, a quem os bangwes tinham a obrigação de pagar tributo regular.
Na metade do século XIX, devido à invasão dos Nguni « vinda do sul », a influência do Império do Monomotapa diminui e desagrega-se, dando lugar ao domínio da região pelo cada vez mais forte Império de Gaza, o qual partindo do sul de Moçambique começava a estender o seu domínio para regiões mais a norte, mercê da sua forte organização e capacidade guerreira, bem como de controle efectivo quer ao nível da produção, como também na colecta de impostos. O que equivalia a dizer que a região estava sob o domínio de Muzila e depois de Ngungunhana.
Foi neste estado que o português, Joaquim Carlos de Andrade, viu pela primeira vez a região do Bangwe, quando se propunha a estudar a navegabilidade do rio Aruangwe ( Pungwe ).
Talvez por isto se diz muitas vezes que a povoação do Bangwe ou Arungwa é o antecessor da actual cidade da Beira.

Comando Militar de Aruangwa

Como muitas outras cidades do continente africano, a cidade da Beira tem o seu nascimento ligado ao período a que os portugueses denominam de descobrimentos.
Dos muitos navegadores europeus, que passaram pela costa de moçambique, destacaremos aqui, a frota de Pedro Alvares Cabral, a quem foi incumbido por D. Manuel a tarefa de estabelecer uma feitoria em Sofala, no distante ano de 1400. Assim e de regresso do oriente, já no Índico, Pedro Alvares de Cabral, mandou um dos seus navios, capitaneado por Sancho de Toar, descobrir o famoso porto de Sofala. Foi esta, a primeira presença portuguesa no territorio de Sofala, que foi seguida pela passagem da segunda armada de Vasco da Gama, em 1502 e que motivou o estabelecimento de uma grande feitoria em Sofala.
Entretanto, e por esta altura, em Portugal, o Rei deliberou criar um vice-reinado na India, para o qual nomeou D. Francisco de Almeida, que para tal, devia em primeiro lugar, por questões de estratégia e de interesse, cumprir com determinadas obrigações, entre as quais, a de erguer uma fortaleza em Sofala e estabelecer junto da mesma, uma feitoria para o resgate do ouro vindo do Império de Monomotapa.
Para cumprir a missão foi escolhido por D. Manuel o Capitão Pero de Nhaya, também conhecido por Pero de Anaia, tendo chegado a sofala a 4 de Setembro de 1505.
Com a construção da fortaleza de S. Caetano de Sofala e da feitoria, Sofala tornou-se num dos maiores empórios da África Oriental.

A fortaleza protegia mais de seiscentos europeus, formando uma povoação de portugueses, mestiços e gente da terra. Distanciada cerca de quatrocentos metros, crescia outra povoação maioritáriamente composta por árabes, que se empregavam nos serviços da fortaleza e no comércio do ouro, marfim e ambar.
Contudo, o desenvolvimento desta região só se dá muito mais tarde, pois as guerras entre Portugal e a Coroa Espanhola, contribuiu para a redução do movimento comercial e do abandono das infra-estruturas ali existentes.
Por volta de 1895 começam as viagens de sondagens da costa para o interior , que levaram o Tenente-coronel de artilharia, Joaquim Carlos Paiva de Andrade, cognominado de Mafambisse pelas populações locais, ás terras de Gorongosa, Mossurize e a travessia do Rio Pungwe, e que em consequência disto, foi por ele proposto, o estudo da navegabilidade deste rio e das condições do porto onde desemboca.
Por decreto de 4 de Julho de 1884, é prevista a fundação dum comando militar na região do Aruangwa, na margem direita do rio Pungwe.,
O Comando foi criado pela portaria de 22 de Julho de 1887, na margem esquerda não na da direita do Pungwe, por razões geográficas, politicas e comerciais.
A instalação do Comando, tinha inicialmente como fim manter o prestígio e respeito da soberania portuguesa, já que não havia na região nada que confirmasse a efectiva fixação dos portugueses.
Entretanto a realização daquele projecto só foi possível quando se provou existir na foz do Pungwe, um porto superior aos de Quelimane e Inhambane, ainda que não se visse nas margens do referido rio, terreno apropriado para a instalação do Comando, visto ser todo alagado no tempo das águas altas, contudo este factor não impediu a instalação do Comando no sítio indicado.
O Comando Militar do Aruangwa foi inaugurado em 20 de Agosto de 1887, pelo então Governador de Manica e Sofala, Tenente-coronel Jorge Pinto de Morais Sarmento.